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Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que o sistema tributário brasileiro tem maior peso sobre os mais pobres.
Segundo o relatório, o brasileiro trabalha em média 132 dias por ano para pagar impostos, mas a carga varia de acordo com nível de renda.
Os cidadãos mais pobres precisam dedicar 197 dias, enquanto dos mais ricos, que ganham acima de 30 salários mínimos, seriam precisos 106 dias, 3 meses a menos.
As mulheres foram as mais afetadas pelo impacto da crise financeira no Brasil. A maior probabilidade de assumir as tarefas de casa, contribuiu para o resultado.
O estudo, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Avançada, analisou os efeitos da crise no mercado de trabalho brasileiro, entre os meses de setembro de 2008 e abril deste ano.
No intervalo, a população economicamente ativa feminina recuou nas principais metrópoles do país. Na capital baiana, por exemplo, houve perda de 3%.
Em São Paulo, a queda atingiu quase 2%. No mesmo período, o número de homens empregados ou à procura de trabalho não diminuiu. Para as mulheres que decidiram continuar no mercado de trabalho, a situação também foi desfavorável.
Apesar de empregar mais homens, a indústria brasileira demitiu proporcionalmente mais mulheres. No período, a mão-de-obra feminina recuou mais de 8% - quase o dobro das demissões masculinas.
A desigualdade social no Brasil recuou 4,1% entre janeiro e junho de 2009, de acordo com uma pesquisa do Ipea.
O estudo é baseado na Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. Segundo o presidente do Instituto, Márcio Pochmann, apesar da melhora, no período em que a economia sentiu o efeito da crise financeira mundial, o Brasil ainda mostrou traços de um país pouco civilizado. E está longe das nações avançadas.
De acordo com Pochmann, a desigualdade caiu justamente por conta da turbulência externa, com a queda do nível de renda, em segmentos da sociedade. Ainda segundo ele, o desemprego atingiu de forma mais acentuada pessoas que ganham melhores salários, como no setor industrial. Já a taxa de pobreza medida pelo Ipea, ficou estável, entre janeiro e junho deste ano.
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Editor iG de economia, Marcelo Cabral, entrevista o economista e presidente do Ipea, Márcio Pochmann.
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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou um estudo que analisa a crise internacional e os reflexos no Brasil. O levantamento conclui que, para a indústria brasileira, o pior já passou.
Segundo o diretor de Estudos Setoriais do Ipea, Márcio Wohlers, a possibilidade de o "dezembro negro" se repetir é muito pequena. Naquele mês, a produção industrial brasileira desabou 12,4%, em relação a novembro - foi uma queda recorde.
O Ipea ressalta, no entanto, que o quadro de recessão observado nos países desenvolvidos não está posto para a economia brasileira, pelo menos neste início de ano.
Segundo o instituto, as medidas tomadas pelo governo contribuíram e continuarão ajudando a reduzir os efeitos negativos da crise. Para concluir, apesar do otimismo, o Ipea é cauteloso.
A pesquisa lembra que ainda prevalecem dúvidas à respeito do ritmo de produção em 2009, o que aumenta a importância de ações governamentais.