Morador de rua foge dos vícios da rua em biblioteca de Brasília

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Brasil | 15/11/2011 - 22h55

A rotina de Antonio Carlos da Conceição começa e termina na rua, onde mora. Mas, durante o dia, ele passa o tempo em um ambiente bem diferente: a Biblioteca Pública Machado de Assis.

Localizada na cidade de Taguatinga, a 25 quilômetros do centro de Brasília, a biblioteca é uma chance de ficar longe do álcool e das drogas.

As atividades favoritas de Antonio estão na internet: filmes, desenhos e notícias ocupam a maior parte do tempo que passa na biblioteca.

Perto do meio dia, com algumas moedas no bolso, compra jujubas e vende no semáforo. Com R$ 4, compra uma caixa de chicletes. A caixa que vem com 12 cartelas de chicletes rende, pelo menos, R$ 12. E muita gente dá alguns trocados sem pedir o produto. É com esse dinheiro que ele garante comida para o resto do dia.

Em um restaurante perto da biblioteca, Antonio come à vontade por R$ 4. Se quiser carne, precisa pagar separadamente, por peso. Quando as vendas no sinal permitem, o almoço ganha alguns pedaços e até refrigerante.

Logo que acaba a refeição, Antonio volta à biblioteca. Quando há vagas nos computadores, ele volta para a internet. Se eles estiverem ocupados ou quando eles são desligados, às cinco horas da tarde, ele se dedica à leitura de jornais. Mas nem sempre foi assim.

Antonio deixou Salvador, onde morava com a mãe, para tentar a sorte em Mato Grosso. Ele pretendia montar um negócio com um tio, mas não deu certo.

Há seis anos, quando Antonio parou em Taguatinga com o ônibus que voltava para Bahia, ele decidiu ficar. Gastou o dinheiro que tinha no bolso e passou a vender doces nos semáforos para pagar diárias em hotéis baratos. Por fim, decidiu viver na rua.

Hoje, aos 41 anos, Antonio admite que se acostumou a viver na rua, apesar das incertezas e do medo. Ele não faz planos para o futuro e trava, sozinho, uma batalha contra os vícios.

Antonio lamenta que a biblioteca não fique aberta a noite toda. Aos finais de semana, o tempo ocioso termina ocupado pelo álcool e a chance de um futuro diferente parece mais distante.

Com reportagem de Priscilla Borges e Alan Sampaio, iG Brasília

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