Serra diz que lança candidatura em abril

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Brasil | 19/03/2010 - 16h18

O governador do Estado de São Paulo, José Serra, falou pela primeira vez como candidato à Presidência da República.

Leia, na íntegra, as declarações feitas durante entrevista ao apresentador José Luiz Datena, no programa "São Paulo Acontece" da TV Bandeirantes:

DATENA: A Dilma está perto do senhor nas pesquisas, heim?

SERRA: Acho que esse é o princípio, né. Ela tem tido uma exposição bastante grande e tem vários outros fatores. A campanha eleitoral acelera depois da Copa do Mundo, que é quando a população começa a ficar ligada e a fazer um juízo mais pessoal dos candidatos, aí a gente vai ver o que acontece. Por enquanto, meu nome aparece na frente, mas é pesquisa. Pesquisa é uma fotografia do momento, não é a dinâmica daquilo que acontece.

DATENA: Mas não assusta essa diferença da primeira para essa última pesquisa. Agora a diferença praticamente não existe, é empate técnico...

SERRA: Não, são cinco pontos de diferença mas não me assusta não, até porque eu já estava prevendo. Você prevê pelo grau de exposição dela e também pelas possibilidades de crescimento que tem o PT. O PT sempre tem no mínimo 30% de possibilidade de crescimento.

DATENA: E o Lula como cabo eleitoral é complicado, é fortíssimo...

SERRA: é uma introdução a ela, eu diria, favorável nesse momento. Agora, eu diria que a partir de um certo instante a população vai julgar não quem já foi presidente ou quem é, mas quem é candidato. Quem vai governar o Brasil no futuro. E aí vai fazer o seu juízo melhor. Agora, eu decidi o seguinte; campanha pra mim é só quando ela começar. Eu não me antecipei. Meu trabalho de governador ficou sendo trabalho de governador. Eu vou fazer isso até o último momento.

DATENA: O pessoal disse que você está demorando demais pra lançar a campanha...

SERRA: Não, não estou demorando. Tem seis meses depois ainda pra fazer campanha eleitoral. É muito cedo para começar e aí você prejudica o trabalho que está fazendo, que no meu caso é o trabalho de governador de um Estado grande e de um Estado complicado.

DATENA: O Aécio vem com o senhor?

SERRA: Ah, o Aécio é meu companheiro de partido. Vamos estar sempre juntos.

DATENA: Ele como candidato a vice seria importantíssimo...Isso já está discutido?

SERRA: Não, não. Essa coisa de vice é pra muito mais adiante. Sai muita coisa na mídia, tal, mas esse é um assunto que só vai ser resolvido bem depois.Pro fim de maio, junho, ainda tem tempo pela frente.

DATENA: Mas as conversas estão adiantas nesse sentido?

SERRA: A gente tem conversado em geral, mas a preocupação maior num primeiro momento será, quando passar a desencompatibilização, começar a organizar uma candidatura.

DATENA: Então, é o futuro candidato à Presidência da República. Nós já estamos começando a candidatura do Serra hoje. Governador, tem coisa que é pior do que ser goleiro, o senhor como torcedor do Palmeiras, não tem como negar, como é que o senhor vai negar que é candidato à Presidente da República?

SERRA: Não, não estou negando. Eu estou dizendo que nesse momento , enquanto eu estiver no governo, não vou fazer campanha.

DATENA: não vai fazer campanha mas já é candidato e devia falar como candidato senão a Dilma cresce mais nas pesquisas...

SERRA: eu acho que vai ter muito tempo pela frente. Esse efeito vai passar, faltam poucos dias.

DATENA: em quantos dias o senhor deve lançar a candidatura?

SERRA: No começo de abril

DATENA: Ta definido então?

SERRA: Tá.

DATENA: Então já está lançado agora. Começo de abril é só proforma. Está lançado oficialmente que o Serra é candidato à presidência da República. Acho melhor o senhor falar isso, porque essa demora pode atrapalhar o senhor, heim. E outra coisa, eu sinto que quando o senhor falou ? porque eu tive uma conversa particular com o senhor , antes de uma outra entrevista - eu sinto que quando o senhor falou que o Lula é um cabo eleitoral muito forte, o senhor não quis denegrir a Dilma. Agora, o senhor tem um passado político que deve ser levado em consideração. O senhor quis dizer isso, né?

SERRA: eu acho que a população vai escolher em função de como são os candidatos, porque o Brasil está decidindo o seu futuro. Aconteceu muita coisa boa no Brasil, ainda tem problemas... quem é mais capaz de garantir as coisas boas e melhorá-las e quem é capaz de enfrentar os problemas. Naturalmente ai pesam as idéias , as propostas e pesa o passado, o que cada um fez. Como é que foi provado na vida pública e isso vai ser mostrado, vai ser julgado pelos diferentes candidatos e o povão vai resolver, e resolver bem como sempre fez.

DATENA: nesse aspecto, é claro, o senhor leva vantagem né? Pela sua vida política o senhor leva vantagem porque a Dilma até hoje não teve uma vida pública, política com cargos executivos.

SERRA: Eu acho que seria meio pretensioso da minha parte dizer que sou melhor.

DATENA: O Lula não quer mais saber dessa discussão do pré-sal, mesmo porque ele está saindo. E cá entre nós, ele é muito mais esperto do que nós dois juntos.

SERRA: é verdade. Junta nós dois, põe no liquidificador e ele ganha.

DATENA: o senhor acredita que numa disputa política acirrada como essa, a força da coalizão dos partidos, inclusive do seu partido, supera a força que o Lula conseguiu emplementar durante dois bons governos? Acha que a força dos seus partidos conseguem superar a figura do Lula?

SERRA: eu não comparo uma coisa com outra. O Lula fez dois mandatos, determinando bem o governo. O que nós queremos para o Brasil? Que ele continue bem e até melhor. Então aí, não é o partido que vai se comparar. O partido te apóia, você tem que ver quem é que vai ser presidente, quem vai dirigir as coisas, porque o presidente é insubstituível.

DATENA: então é essa a estratégia da campanha, já consegui perceber qual é estratégia da campanha do José Serra. O governador Serra vai dizer o seguinte: o Lula é o presidente da República, a candidata é a Dilma, que não tem nada a ver com o Lula, porque o Lula pode ser o mentor da campanha, mas quem vai governar, se for presidente, é a Dilma. É isso, separar a figura da Dilma do Lula?

SERRA: é, e tem uma coisa. Quando você é eleito, assim como eu fui prefeito e sou governador, quem toma as decisões, inclusive nos momentos difíceis é o prefeito, o governador e o presidente. Isso é insubstituível. Não há delegação nesse caso e você responde ao povo que te deu o voto. Não há ninguém que governe com alguém paralelamente ? nem acho que esse seja o caso , nem o Lula pretenderia fazer isso ? mas isso não funcionaria no Brasil e nenhum lugar do mundo.

DATENA: e como candidato o senhor acha que é mais forte do que a Dilma?

SERRA: ai fica pretensioso eu me comparar. A população vai decidir. Eu tenho uma história, ela tem a dela.

Serra diz que vai lançar candidatura à Presidência em abril

Palavras-chave: candidatura , presidência , TV Bandeirantes , entrevista , josé serra ,

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