Vídeo exclusivo - Operação de resgate de Ingrid Bettancourt

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Mundo | 06/05/2011 - 10h50

Helicópteros foram pintados de branco e com símbolos de uma ONG fictícia, Missão Humanitária Internacional, com site na internet e telefone próprio para o caso de os guerrilheiros tentarem verificar sua existência.


Como em outras ocasiões, jornalistas da venezuelana Telesur (segundo vídeo) acompanhariam a ação para dar verossimilhança e também para distrair os rebeldes, em manobra de diversionismo. “A câmera atrai a atenção de qualquer pessoa. O simples fato de haver uma lente faz com que a pessoa concentre a atenção ali”, explica o “cinegrafista”.


Cada agente desempenharia o papel de um personagem. Havia um “repórter”, um “cinegrafista”, um “médico”, uma “enfermeira”, um “australiano”, um “árabe”, entre outros.


Todos tinham documentos falsos, telefones – que ficavam em uma central, para o caso de serem checados. Na carteira do “australiano”, por exemplo, havia dinheiro de seu país e tíquetes de entrada em eventos esportivos na Austrália. Os agentes passaram a se chamar apenas pelos nomes fictícios, para não errar na hora da operação.


Foram compradas jaquetas brancas e dispostas sobre os assentos dos dois helicópteros destinados aos sequestrados, de modo a dirigir os dois guerrilheiros que iriam no helicóptero a se sentar nos lugares planejados, para facilitar a imobilização.


O uso de símbolo da Cruz Vermelha gerou protestos da entidade. “Era para dar uma imagem de segurança aos guerrilheiros, não para ter vantagem militar. Não disparamos um só tiro nem pretendíamos matar ou ferir ninguém, só libertar os sequestrados.”


A equipe foi treinada em técnicas de imobilização e simulou como seria a ação dentro da aeronave. Ouviu palavras de estímulo pessoalmente das duas maiores autoridades militares do país, o comandante das Forças Militares da Colômbia, general Freddy Padilla, e general Mario Montoya, então comandante do Exército.


Os “jornalistas” tiveram papel importante na ação em si, porque foram diretamente em César e lhe fizeram perguntas, distraindo-o por alguns minutos.


Em seus personagens e com o intuito de não despertar suspeitas, acabaram por irritar os próprios sequestrados, que, agoniados queriam mandar mensagens pela TV. “Tenho somente uma coisa a dizer: estou preso há dez anos. Eu sou tenente Montoya, do glorioso Exército da Colômbia!”, disse um militar preso.


Ingrid Bettancourt pensou se tratar de mais uma montagem de propaganda das Farc, segundo um agente. Dois americanos também desconfiaram do “australiano”, porque seu sotaque em inglês não correspondia ao verdadeiro. “Ele se aproximou e perguntou se queríamos ir para casa naquele dia. Eu olhei para a credencial dele e disse: ‘Isso não vale nada! Não acredito nisso!’ Ele, em inglês disse: ‘Sou australiano e me chamo Daniel’, e eu: ‘Não, senhor, você é colombiano! O que está acontecendo?’ E ele pediu que confiássemos nele que íamos para casa. Virei para Mark (outro americano) e disse: ‘Ponha logo as algemas e vamos!’”, contou Keith Stansell.


Os “jornalistas” ainda voltam para filmar os guerrilheiros “em contra-luz” e os cumprimentam. No fim, em um ato quase de deboche, os agentes se despedem e deixam latas de bebidas para os guerrilheiros que ficam na floresta.


Envolvido, César entrega sua arma, porque lhe foi dito que não podia entrar armado no helicóptero. Instantes depois, quando a aeronave já estava distante, uma das mulheres do grupo serve bebidas e cai no colo de César. “Ele me abraça e diz: ‘Vem aqui comigo’, e eu: ‘Sim’...”

O repórter, porém, desencorajava as declarações, dizendo que não poderia ter conteúdo “político”.



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